CORECON-MT

Uma Homenagem aos 73 anos do IBGE

No dia 29 de maio comemoramos com muita honra o dia do estatístico e do geógrafo, atividades profissionais fortalecidas no final da primeira metade do século XX - apesar de muito antes haver sido objeto de freqüentes manifestações, com vistas à organização racional do mundo em que vivemos, diante das contínuas necessidades e dificuldades postas.

A estatística, através dos indicadores econômicos construídos, cabe ressaltar, auxilia-nos na compreensão da teoria econômica, bem como na formulação e execução das mais diversas políticas econômicas. Para a ciência econômica, a presença da estatística e da geografia contribui e continua colaborando, sobremaneira, na definição dos propósitos a serem perquiridos.

No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), criado no ano de 1936, foi o responsável, em 1940, pela elaboração do censo demográfico nacional, e que, por sua vez, serviu ao estudo da demografia de marco mundial por ter levantado duas questões importantíssimas: a fecundidade e a mortalidade infantil, e também pelo fato de haver seguido metodologias internacionais de ponta, trazidas pelo italiano responsável pela coordenação dos trabalhos, Prof. Giorgio Mortara.

O IBGE, durante estes 73 anos de existência, tem sido o órgão responsável pela elaboração das estatísticas oficiais no Brasil.

A realização do primeiro censo demográfico no nosso país ocorreu no ano de 1872, ainda no período imperial, e o primeiro censo demográfico do período republicano, em 1890. No século XX, o censo demográfico somente foi interrompido em 1910 e 1930, e adiado o de 1991. No mundo, o Brasil tem tradição na realização de censos demográficos.

Foi bastante alardeado por todos o fato de o IBGE ter começado a ser informatizado na década de 1960, com um dos primeiros computadores do país, que pesava à época, quase 30 toneladas, e ocupava uma área de um pouco mais de 300 metros quadrados.
 
Na atualidade, o IBGE superou positivamente, todas as expectativas previstas, estando interligado por uma competente rede de computadores, que faz a conexão com 27 unidades estaduais (26 nas capitais dos estados e 1 no Distrito Federal), 27 setores de documentação e disseminação de informações (26 nas capitais e 1 no Distrito Federal) e 533 agências de coletas. Além dessas, a Reserva Ecológica do Roncador, que situa-se a 35 Km de Brasília, merece destaque pelo importante papel que vem desempenhando.

Dos vultos pioneiros, que tão relevantes serviços prestaram ao IBGE destacamos o cuiabano Allyrio Carlos Hugueney de Mattos (1890-1975), com destaque no setor de cartografia. Nossas homenagens vão também para Mário Augusto Teixeira de Freitas (1890-1956), Christovam Leite de Castro (1904-2002), Giorgio Mortara (1885-1967), Fábio de Macedo (1906-1979), e tantas outras personalidades desconhecidas.

No portal do IBGE podem-se encontrar todas as publicações realizadas, as mais diversas informações técnicas, variadas questões metodológicas, além dos inúmeros questionários que foram utilizados nas pesquisas.

Recentemente, o portal do IBGE recebeu um número de visitas bem superior a 876 milhões, superando, de forma excepcional, a marca de dez milhões de usuários, caso este que fortalece a luta pela sua manutenção com autonomia plena.

Em 2006 e 2007, construiu-se na programação do IBGE a realização do censo agropecuário, da contagem da população, a publicação do mapa político do Brasil, mapas da Amazônia, mapa nacional de saneamento e o mapa Brasil agrícola (produção agropecuária e vegetação natural).

Além dessas publicações, pretende-se brindar a sociedade com o atlas das representações literárias das regiões brasileiras; mapas políticos e físicos dos estados e das regiões brasileiras; mapas municipais, e das unidades de relevo e das unidades de conservação federais; mapas de cobertura e uso da terra, de vegetação, de solos e geomorfológicos  dos estados do Acre, Rondônia e Roraima; e a biogeografia do bioma cerrado.

É por tudo isso que, como Presidente do CORECON/MT, e servidor técnico administrativo do IBGE, fazemos questão de expressar a nossa enorme satisfação pela comemoração dos seus 73 anos de criação. Cabe lembrar que, como economista, na formulação dos planejamentos regionais e urbanos, que redundam no planejamento nacional, precisamos cada vez mais das pesquisas realizadas pelo IBGE, que no Brasil tem sido considerado um dos órgãos de estatísticas dos mais prestigiados pela comunidade científica internacional. Parabéns IBGE!

 

Pepeu Garcia analisa a fusão Sadia-Perdigão em entrevista

pepeu-fiO Presidente do COFECON, Pepeu Garcia concedeu na quinta-feira, dia 21 de maio, entrevista ao âncora Valter Lima, do Programa Revista Brasil, da Rádio Nacional de Brasília e por Andréia Tavares. Pepeu foi requisitado pela emissora, que teve assim o cuidado de oferecer aos seus ouvintes uma visão ampla do significado de uma fusão deste porte, pois, como sabemos, somente economistas podem ponderar todos os aspectos econômicos e sociais que uma transação desta envergadura pode gerar.

Com sua larga experiência profissional e acadêmica o presidente Pepeu falou aos ouvintes da emissora por mais de 20 minutos, onde analisou os aspectos locais, nacionais e internacionais até, desta que será a partir de sua efetivação, a terceira maior exportadora brasileira, provavelmente a maior empregadora do país, e geradora de receitas que ascendem a 22 bilhões de reais, mais de 10 bilhões de dólares, 40% advindos de suas exportações.

Pepeu Garcia discorreu sobre o assunto realçando o lado positivo da fusão, o alcance competitivo que a nova empresa terá na consolidação de mercados externos já conquistados, assim como na conquista de novos segmentos para exportação. Falou na força de uma empresa deste porte, e no significado da venda de uma marca tão forte, brasileira, com Brasil com “s”, ou seja, da venda de mais uma grande empresa preparada para enfrentar o mercado mundial, fator positivo brasileiro na disputa dos mercados globalizados. Lembrou, neste caso e neste segmento, da JDS Friboi, outra empresa que atua com força no mercado de alimentos.

Lembrou também os lados que mais preocupam num processo como esses: pelo lado do emprego, pelos eventuais cortes que possam gerar um enxugamento de e racionalização de processos; gera “aquele medo entre produtores e consumidores”, produtores que se vêem com menor poder de pressão, pois vão ter um comprador mais concentrado ainda, com maior poder de barganha nas suas relações com uma empresa gigante como a que surge, e consumidores que poderão ser prejudicados com a diminuição da concorrência entre as duas marcas gigantes e dominantes até então do mercado de vários produtos, margarinas, massas prontas, frios, congelados, etc.

Sob o aspecto interno, falou ainda o Presidente Pepeu como funciona o mercado e em termos teóricos e acadêmicos o que seria um eventual processo monopolístico que poderia eventualmente se ensaiar com a construção de uma empresa tão poderosa; neste aspecto lembrou de fusões anteriores, como a que juntou no mercado de pastas dentais as marcas de Kolynos e Colgate, e as providencias que o CADE tomou na ocasião, a suspensão por quatro anos da primeira, para diminuir a concentração.

O Presidente Pepeu discorreu sobre como tem sido a atuação do CADE, que já considera também as perspectivas de construção de empresas/marcas mundiais e de sua importância para o país e sua economia, e não só para aspectos internos de concorrência, esses bem mais simples de serem controlados e administrados para que não sejam os consumidores prejudicados por opressões ilegítimas geradas na falta de concorrência.

A tendência mundial para a grande concentração de corporações, foi outro ponto relevante lembrado por Pepeu Garcia; talvez o que ocorre agora tenha pontos questionáveis sob o ponto de vista da economia local, mas é, sem dúvida, uma necessidade, visto sob o ponto de vista da economia global, globalizada; lembrou, por exemplo, no mercado de bancos, a compra do Banco Real pelo Banco Santander, o que apressou a compra do Unibanco, pelo Banco Itaú, certamente para que este último se mantivesse na ponta, mais firme na disputa pelo mercado, e com sua marca mais consolidada ainda.

“Assim, grandes corporações estão se tornando maiores ainda, e não há como enfrentar o mercado mundial, no caso da Sadia/Perdigão, exportadoras, e de outras, senão procurar caminhos como esse, da fusão, para se tornarem fortes internacionalmente, para vender para o mundo inteiro; isso vai servir de referência para outras empresas, que poderão seguir este mesmo caminho na sequência dos acontecimentos”, analisou Pepeu Garcia.

Outro aspecto novo da fusão ocorrida, lembrado pelo Presidente Pepeu, é que Perdigão e Sadia atuavam no mercado internacional praticamente como concorrentes, disputando os mesmos mercados de países árabes, Ásia e Oriente, Comunidade Européia, alguma coisa na América, mas que agora passam a atuar juntas sob uma mesma marca, com a soma de seus poderes de fogo, ou seja, com o dobro de poder de negociação, para entrar em disputas e concorrências com muito mais determinação: “Só para se ter uma idéia, a Brasil Foods estará perto de uma marca como a Kellog's, em termos de mercado de alimentos, ou seja , a força da nova empresa será muito grande ora em diante no mercado internacional”, previu.

“Entretanto, a participação da Brasil Foods no mercado interno, com, por exemplo, os 52% da Sadia mais 18% da Perdigão, ela terá 70% do mercado de margarinas do país, o que preocupa é a cartelização de preços, tanto do lado dos fornecedores como dos consumidores”, voltou a lembrar Pepeu Garcia. “Mas o ganho para a economia brasileira é patente, pois essa nova empresa ajuda ao Brasil a deixar de ser exportador de matérias primas, de matérias primárias, pois nesse caso o país vai melhorando seu perfil, não exportando mais apenas a soja ou a carne retalhada, exportando produtos processados; esse é um processo muito útil ao país”.

Pepeu Garcia afirmou ainda não acreditar na “história da carochinha” de que haverá até redução de preços, pelos ganhos de competitividade que advirão da fusão, como chegaram a propor os dois presidentes na coletiva de imprensa que deram. “Com o poder de negociação que eles terão, preocupados devem ficar os suíno-cultores, os avicultores, muito mais preocupados do que os consumidores; o fato de não haver aumento nos preços já acho que seria um grande ganho para os consumidores brasileiros”.

Estes foram alguns dos principais aspectos da entrevista concedida pelo presidente Pepeu Garcia. Em breve estará disponível no site COFECON o áudio completo do programa, tão logo seja remetido pela emissora.
_________________________________________
Por Sergio Storti
Assessor Especial de Comunicação
do COFECON

 

Ciclo econômico não é gripe.

Gripe influenza AÉ importante informar-se cientificamente sobre a origem de um fenômeno prejudicial à sociedade para poder combatê-lo.

Os profissionais preparados para explicar e evitar os ciclos econômicos são os economistas, que se especializaram em macroeconomia pela Escola Austríaca (http://www.mises.org.br),a qual utilizou de métodos científicos para estudar esta doença econômica.

Como será demonstrado, este fato econômico não é natural, não é uma pandemia como a influenza, não é conseqüência do sistema capitalista, mas acontece pela intervenção artificial do governo no aumento da base monetária.

Os governos vivem o paradoxo de serem os Guardiões da Base Monetária, ao mesmo tempo, Ordenadores de Despesas Públicas e Executores de Políticas Econômicas.

A pressão social por uma rápida melhora no padrão de vida com poucos sacrifícios de poupança e a necessidade do governo de atender este desejo, para cumprir as promessas feitas na campanha política e manter-se no poder, o obriga a abrir mão de ser o Guardião da moeda.

Sua atitude então é ampliar a base monetária acima das necessidades reais, iniciando a primeira fase do ciclo econômico, “a expansão”, gerada pelo financiamento inflacionário do Estado, como cita Gustavo Franco:

“Às vezes não se tem a percepção de que a inflação é decorrente da impressão de pedaços de papel que passam a valer muito mais do que seu custo de produção, desde que tenham a assinatura de uma autoridade”.

Além da emissão da moeda manual, há também o aumento da moeda bancária, através de empréstimos gerados por depósitos em conta corrente. O estímulo aos Bancos é a manutenção da taxa de juros dos títulos federais abaixo do juro real, sempre definida pelos Bancos Centrais de cada país. 

A política antipática de ter que pagar juros altos para poder vender seus papéis para pagar suas despesas (por gastar mais que recebe de tributos) não é mais necessária.

Parece um sonho, todas as necessidades são atendidas, os créditos se ampliam dia-a-dia, há garantia de emprego e a distribuição de renda está sendo realizada sem ter que  “esperar fazer o bolo crescer”.

Esta é a fase de maior aprovação do governo.Mas como em todo sonho, acordamos, e aí a realidade é outra, é neste momento que os créditos decrescem , é a crise, o início do fim da expansão artificial, é a segunda fase do ciclo econômico, a “recessão”.

Diferente do que o conhecimento empírico indica, a recessão é a parte boa do ciclo, pois resgata os erros cometidos pelo excesso de moeda e crédito.

Mas a duração deste período depende do tempo que levou o sonho ou da insistência dos governos em continuar emitindo moeda ou criando crédito artificial.

Se o governo voltar a aumentar a base monetária, a sociedade não pode voltar a sonhar? 

Sim, mas acordará com o pesadelo da hiperinflação.

Estas afirmações são comprovadas pela teoria econômica (departamento da economia que formula princípios, teorias, leis e modelos), desenvolvida por Mises, denominada de Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos que afirma:

“...Guardar dinheiro (na sua carteira, em uma lata de estanho no quintal, debaixo da cama, etc.) não é uma forma de poupança. O saldo de caixa - ou o efetivo disponível - pode aumentar sem que as preferências temporais tenham diminuído, que é o que ocorre quando se poupa. (Com efeito, uma pessoa poupa porque sua preferência temporal diminui). É possível que uma pessoa aumente seu efetivo disponível diminuindo seu gasto com consumo e também com bens de produção. Poupar, por outro lado, significa diminuir o gasto com bens de consumo e aumentar o gasto com bens de produção.

O fato de que poupar normalmente envolve um intermediário (i.e., um banco) que vai permitir que outra pessoa gaste com bens de produção e em nada altera essa questão. O dinheiro é inerentemente a um bem presente; guardá-lo significa que se está "comprando" alívio em relação a uma atual inquietação quanto a um futuro incerto. (Vide Hoppe [1994] e Hoppe et al. [1998] para uma discussão sobre a natureza do dinheiro). Fazer empréstimos que têm como lastro depósitos a vista (dinheiro de terceiros que, teoricamente, pode ser sacado a qualquer momento) não pode facilitar a compra de bens de produção (para a criação de bens futuros em detrimento de bens presentes) - e olhe que ainda nem estamos fazendo qualquer consideração quanto aos aspectos jurídicos envolvidos.

O aspecto crucial em relação ao dinheiro é que ele permite o cálculo econômico, a comparação entre as receitas esperadas advindas de uma ação e os seus custos potenciais, tudo isso se baseando em uma unidade comum. Ou seja, uma pessoa adquire propriedade em troca de outra propriedade tendo por base seu julgamento quanto ao futuro, e isso seria impossível - ou, mais ainda, sem sentido - caso não houvesse uma unidade comum para comparar as alternativas. Dinheiro é propriedade, e em um sistema monetário que faz parecer que existe mais propriedade para a produção do que de fato há, o colapso é inevitável.

Não é preciso tentar imaginar se os empresários "leem" corretamente as taxas de juros ou não. Empresários fazem julgamentos sobre o futuro e, é claro, podem sempre estar potencialmente errados; o sucesso não pode ser sabido de antemão. Entretanto, os julgamentos sempre serão errados quando uma pessoa se defrontar com a ilusão de que há um maior conjunto de poupança do que as atuais preferências dos consumidores podem de fato justificar. Essa é exatamente a situação estabelecida pelo sistema bancário - como intermediários entre poupadores e produtores, ou "investidores" - atualmente no Ocidente. Esse sistema garante que haverá erros, não obstante não impeça o sucesso; daí a existência de um genuíno crescimento econômico ao lado de vários maus investimentos.

Essa análise não é uma insistência moralista para que a economia seja basicamente fundada em algo "real". É um reconhecimento de que meros desejos subjetivos não podem transformar em realidade mais propriedades do que as que já existem. Caso um sistema monetário dê a ilusão de que as preferências temporais dos consumidores - como fornecedores de propriedade para propósitos de produção - são menores do que realmente são, então a estrutura de produção construída sobre tal sistema é inerentemente equivocada. Quaisquer planos que aparentem ser plausíveis durante a fase inicial da expansão econômica (boom), inevitavelmente revelar-se-ão errados devido a uma insuficiência de propriedade (poupança real). Esse é o ponto mais importante da Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos. A Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos: Uma Breve Explanação”Disponível em:<http://www.mises.org.br.>Acesso 03.05.2009.

Para quem acredita nas ciências para explicar os fenômenos sociais, aí está uma teoria que só poderá ser substituída quando outra explicar com mais propriedade do que a atual.

Claro que cada país cria a seu próprio ciclo econômico. No Brasil tivemos uma experiência na fase da transição democrática, nos 15 anos anteriores ao real que a política econômica, tinha que justificar as esperanças “das diretas já”, criou-se o ciclo econômico pela emissão da moeda e como

“conseqüência uma inflação acumulada de 20.759.903.275.651%, a maior da história da humanidade seguida de uma tragédia distributiva. (Gustavo Franco, citado em Direito e Economia da ETCO, pg.60 editora Saraiva)”.

Não podemos imaginar que não exista a interferência entre os países, não só pela quantidade de importações e exportações, pela multiplicação da balança de serviços, pelo livre trânsito dos capitais e principalmente pela adoção do dólar americano como moeda de troca internacional.  

Estas inter-relações podem criar condições propícias, mas “não geram os ciclos econômicos”, estes só existirão quando os Guardiões Monetários, “os governos”, resolverem aumentar a base monetária se seus países acima das reais necessidades econômicas.

No Brasil não foi diferente, criamos o nosso ciclo econômico que teve um período de expansão com o início do fim, na crise de outubro de 2008 e agora na plena recessão.

A crise não pode ser apelidada de recessão, pois ela é o marco do último estágio da expansão, ou então o primeiro estágio da recessão. A crise é a crista, o pico do ciclo.

Quando o atual governo foi eleito, tinha que provar rapidamente que podia transformar em realidade seu discurso de distribuição de renda e pleno emprego, ao mesmo tempo, provar à classe empresarial que teriam créditos longos e baratos para investirem e crescerem. 

O seu compromisso da segurança jurídica de respeitar os contratos garantiu os investimentos internacionais.

Mas era impossível esperar um aumento natural da poupança para viabilizar rapidamente esta promessa de política econômica, então tivemos o início do plano econômico, já experimentado no passado recente, que foi:

1º. Crescimento da base monetária de 2003/2008

·         M1 (moeda manual em poder do público+ depósitos à vista)....133%

·         M2 (fundos+títulos federais em poder do público)......................156%

·         M3 (depósitos de poupança).......................................................153%

·         M4 (títulos privados).....................................................................156%2º. Baixa da taxa Selic (juros pagos pelo Governo pelos seus títulos)

·         Março de 2003 .......................................................................... 26,50%

·         Março de 2008........................................................................... 11,25% 

As conseqüências da fase de expansão artificial:

1º. Diminuição dos juros da dívida 04/2006 até 02/2009.........40 bilhões

2º. Gasto com aumento de pessoal 04/2006 até 02/2009.......40 bilhões

3º. Desemprego: 2003 – 13%    em 2008 – 7%

4º. Aumento da reserva de dólares (com emissão de real):

o   2003 – US$ 30 bilhões em 2008 – US$ 206 bilhões  

5º. Custo do dólar (entrada de dólares ao mercado):

o   2003 US$ 1 custava R$ 3,50

o   2008 US$ 1 custava R$ 1,55

A situação 4º. e 5º.  Ocorreram graças à política monetária americana adotada pelo FED do aumento exponencial de emissão do dólar, distribuído para o Mundo.

6º. Aumento das reservas bancárias disponibilizados pelo BACEN indica que 12/2007 o aumento em relação à 12/2006 foi de 27,1% e 01/2008 em relação 01/2007 aumentou 30,3%. Quanto maior as reservas bancárias maiores o volume de empréstimos originários de depósitos de correntistas, aumentando a base monetária, pela emissão da moeda escritural ou bancária. (ROQUE, Leandro. Ascensão e queda da economia brasileira. Disponível em http://www.mises.org.br)

Com dólar barato e transbordando, importamos muitos produtos chineses com baixos preços graças ao “dumping de capital humano”. Crédito barato, abundante e de longo prazo, ampliou a mecanização do setor primário, aumentando a produção agrícola brasileira a números históricos.

Esta combinação de fatores foi responsável pelo controle inflacionário, mesmo com o maciço aumento da base monetária.

Com muito dinheiro em circulação e com preços estáveis, o resultado é um aumento de renda e de poder de compra. Com juros baixos e muito crédito e segurança de emprego tem-se uma euforia social, percebida principalmente pelas classes de menor renda, que passam a consumir bens e serviços de maior valor agregado. Neste período, o presidente do Brasil tinha aprovação superior a 80% dos brasileiros.

Parte deste dinheiro se dirige para alguns mercados específicos criando as bolhas. No Brasil, um exemplo foi a Bolsa de Valores, que em 26/02/2003 o índice Ibovespa tinha 9.994,80 pontos e em 20/05/2008 o índice era 73.516,81 pontos, significando que em 5 anos houve uma valorização das principais ações em 635%. Hoje a bolha desinflou e o atual índice oscila entre 40 a 45 mil pontos.

A economia pode ser enganada por um certo tempo, mas não por todo o tempo.

Moeda é um instrumento de troca. A caneta é um instrumento para escrever. A caneta não faz poesia. Tampouco a moeda produz bens, serviços ou recursos produtivos. 

Qualquer desaceleração mais prolongada na expansão do crédito irá arrefecer o crescimento econômico, não é necessário que o crédito se contraia; basta que ele cresça a uma taxa menor, e a recessão virá.

A tabela do BACEN, citada acima, demonstra o decréscimo das reservas bancárias, que inicia em 02/2008 chegando em 11/2008 com um decréscimo em relação a 11/2007 de -27,1%, portanto, com menos crédito inicia-se a recessão brasileira, como afirma Mises.

Atitudes do governo para uma recessão rápida:

·         Parar a inflação monetária.

·         Não salvar empresas insolventes.

·         Não estimular aumento de salários ou de bens de capital.

·         Não estimular o consumo.

·         Estimular a poupança.

·         Não aumentar seus gastos.

Caso contrário, fica a certeza do prolongamento da agonia com uma duradoura e crônica inflação, cenário semelhante aos 15 anos antes do plano real.

Como afirma o Diretor do Clube de Vienna, Jonas Faga Jr., “Não é o fim do Mundo, é o fim de um Mundo dominado pelo dólar” 

Prof. Luiz Carlos Barnabé de Almeida

Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar

Jornalista, Economista do Clube de Vienna

Professor de Economia Política na Universidade Estácio de Sá

 

Levy busca parceria com CMN para Prêmio Brasil de Economia

levy-eduardostranzO coordenador da Comissão do Prêmio Brasil de Economia e Personalidade Econômica do Ano no COFECON, Aurelino Levy Dias de Campos, reuniu-se na última segunda-feira com o Dr. Eduardo Stranz a fim de viabilizar uma cooperação entre o COFECON e a Confederação Nacional dos Municípios. O encontro representa um primeiro contato entre as duas entidades para este objetivo e ocorreu na sede da CMN, em Brasília.

Levy explicou que na edição 2009 do Prêmio Brasil de Economia haverá uma nova categoria de premiação: Gestão Pública. A cooperação com a CMN vem no sentido de que a entidade avalia os municípios brasileiros, ano a ano, de acordo com o Índice de Responsabilidade Fiscal, Social e de Gestão (IRFS).

O índice foi criado pela própria Confederação, baseado em três sub-índices (fiscal, social e de gestão), compostos por 16 índices específicos. O cálculo leva em conta fatores como endividamento, superávit primário, custeio, gastos com o Legislativo, grau de investimento, gastos com saúde e educação e suficiência de caixa, entre outros.

Aurelino Levy Dias de Campos, além de coordenador da Comissão, é também presidente do Conselho Regional de Economia de Mato Grosso e foi vice-presidente do COFECON em 2006 e 2007.

 


Página 9 de 12