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Salário mínimo no Brasil é quatro vezes menor que o ideal, aponta presidente do Corecon-MT

10/09/2026

Em entrevista à TV Vila Real, Emanuel Daubian analisou a defasagem no poder de compra das famílias e o peso da inflação sobre os itens essenciais.

O constante debate sobre o reajuste do salário mínimo no Brasil traz à tona um abismo histórico: a distância entre o que o trabalhador recebe e o que ele efetivamente precisa para sobreviver com dignidade. Em entrevista recente concedida à TV Vila Real, o presidente do Conselho Regional de Economia de Mato Grosso (Corecon-MT), o economista Emanuel Daubian, jogou luz sobre essa realidade ao afirmar que o atual piso nacional é cerca de quatro vezes menor que o valor considerado ideal para suprir as necessidades básicas de uma família.

Apesar da forte defasagem, o especialista ponderou que, diante do aperto financeiro que atinge grande parte da população, qualquer percentual de acréscimo representa um alívio imediato nos lares brasileiros. O grande vilão, segundo o economista, continua sendo a desproporção entre a evolução da renda e o encarecimento do custo de vida.

"Sabemos que o valor atual está muito longe do ideal, sendo praticamente quatro vezes menor do que uma família realmente necessita. No entanto, qualquer reajuste já significa algo, um fôlego para essas famílias. O problema central é que os gastos fixos e os serviços essenciais sofrem aumentos constantes, e o salário, infelizmente, não acompanha esses aumentos", avaliou Daubian durante o telejornal.

O cenário econômico e a corrosão da renda

A análise do presidente do Corecon-MT reflete com precisão o atual panorama da economia brasileira. Embora o país apresente momentos de controle na inflação geral (medida pelo IPCA), a percepção de melhora demora a chegar ao bolso do trabalhador que ganha até dois salários mínimos.

O orçamento dessas famílias é composto majoritariamente por despesas inelásticas — ou seja, gastos fixos que não podem ser cortados, como alimentação básica, aluguel, energia elétrica e água. A chamada "inflação da prateleira" costuma ser mais cruel com essa parcela da população. Quando ocorre uma quebra de safra que encarece o arroz e o feijão, ou quando as bandeiras tarifárias elevam a conta de luz, o impacto no orçamento é imediato.

Como o reajuste salarial acontece, via de regra, apenas uma vez ao ano, as famílias passam meses sofrendo com a perda contínua do poder de compra frente aos reajustes dos produtos. A fala de Emanuel Daubian evidencia o grande desafio das políticas públicas no Brasil: ir além dos reajustes baseados apenas na inflação passada e buscar mecanismos de ganho real, protegendo a renda do trabalhador contra as oscilações bruscas dos itens de primeira necessidade.

Fonte: Andressa Boa Sorte/Comunica Assessoria.